Olá pessoal,

Tenho ficado um pouco mais ausente aqui na Carta do Doc por motivos de hiperfoco na Turi Saúde.

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Mas esse ano quero estar mais perto de vocês, trazendo insights sobre o mercado de saúde, inovação e tecnologia.

Vou começar escrevendo sobre a recente publicação do Enamed 2026.

A divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) na segunda-feira (19/01), que avaliou 351 instituições, gerou uma grande repercussão por 3 motivos:

  • 1/3 das faculdades receberam Conceito 1 e 2 (considerado insatisfatório)

  • Os 13 mil alunos com conceito baixo deveriam permitir que os seus alunos recebessem um registro no Conselho?

  • Algumas faculdades com nota baixa entraram na justiça para recorrer à nota

Tempo de leitura : 5 minutos

💬 Em pauta

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O Enamed nasceu em abril de 2025 como uma espécie de Enade só para Medicina, com a proposta de medir competências dos alunos e, de quebra, ajudar o MEC a enxergar a qualidade dos cursos no país. (Até aí tudo bem).

Em 19 de janeiro de 2026, foi divulgado que 30% dos 351 cursos avaliados ficaram com conceito insuficiente.

O problema é que, na primeira divulgação de resultados, o MEC já gerou advertências e sinalizou sanções pesadas para as instituições com nota baixa (Conceito 1 e 2), como travar novas turmas, cortar vagas e até mexer em acesso a Fies e Prouni.

Somado a isso, as notas divulgadas publicamente estavam diferentes em relação ao publicada na plataforma e-MEC.

Aí começou a confusão jurídica, porque a Anup (Associação Nacional das Universidades particulares) bateu na tecla de que o exame ainda parece “experimental” e cheio de ruídos para virar base de punição.

A Anup questiona justamente como esse conceito foi construído.

Diz que, pela regra do MEC, não é possível transformar a avaliação do curso em “uma nota só” baseada no desempenho do aluno, já que isso seria só uma parte do pacote e que deveria entrar também docente e infraestrutura.

Também contestam colocar alunos do 11º período na conta, porque ainda tem internato pela frente e isso pode puxar a média para baixo. Fora a sensação de “mudaram a regra depois do jogo”, porque parâmetros e cálculo teriam sido divulgados só em dezembro de 2025, depois da prova.

No meio disso, o CFM cogita impedir a emissão do CRM de quem não bateu a nota mínima, algo na casa dos 13 mil alunos, mas juridicamente isso não se sustenta, porque pela lei atual, diploma de curso de Medicina reconhecido dá direito automático ao registro.

Minha visão pessoal:

  • O Brasil tem um déficit de médicos (comparado com a média OCDE)

    Temos 2,98 médicos por 1.000 habitantes. Esse nível fica abaixo da média da OCDE (3,70), mas acima de EUA e Coreia do Sul. Na América do Sul, a Argentina está mais alta, e Chile e Colômbia ficam próximos ou abaixo. A tendência é de alta até 2035.

    • Brasil: 2,98 médicos por 1.000 habitantes

    • OCDE: média de 3,70 por 1.000 habitantes

    • Brasil acima de EUA (2,72) e Coreia do Sul (2,62)

    • América do Sul: Argentina 3,94. Chile 2,94. Colômbia 2,45

    • Projeção: Brasil pode chegar a 5,25 médicos por 1.000 habitantes em 2035

  • O nosso principal déficit é de distribuição geográfica, com a maioria dos profissionais nas capitais

  • Houve um volume grande de novas faculdades sendo criadas, o que coloca em risco a qualidade

  • Mas não acho que o Enamed é a única resposta para isso

Precisamos avaliar vários outros critérios como:

  • Infra-estrutura da instituição

  • Corpo docente

  • Presença de sistema SUS na região com número de leitos compatível

  • UBSs cadastradas para receber os alunos

A discussão sobre nota do Enade e ter o CRM existe desde 2004. (desde quando entrei na faculdade rs).

Acredito que vamos precisar caminhar para algum tipo de prova de proficiência, mas não sei o formato atual do Enamed é o ideal.

O que você acha?

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Thiago Liguori

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